Apesar de decisão judicial, DPE-TO constata que Estado não resolveu problemas na Casa do Estudante

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Vazamento de esgoto, forro quebrado nos banheiros, rampa de acesso aos andares do prédio com buracos e risco de desabamento, infiltração e rachaduras nas paredes de todo o prédio, beliches quebradas, banheiros interditados, fiação exposta, extintores antigos e falta de segurança. Esta é a situação encontrada pela Defensoria Pública do Estado do Tocantins (DPE-TO) em vistoria realizada na Casa do Estudante Jornalista Jaime Câmara, localizada na quadra 203 Norte, em Palmas. A ação foi realizada pelo defensor público Marlon Costa Luz Amorim.

 “O prédio é inabitável. A estrutura é precária e o ambiente totalmente insalubre. É lamentável ver acadêmicos tratados com tamanha desumanidade”, pontuou o Defensor Público, após a vistoria realizada na sexta-feira, 17. De acordo com ele, a Casa do Estudante conta com muitas deficiências estruturais, que prejudicam a estadia dos universitários e também incidem em graves riscos.

O Defensor Público visitou as principais dependências da Casa e ainda conversou com estudantes. Um deles relatou que a falta de manutenção gera graves problemas, como o desperdício de água: “A secretaria fala que tem muito desperdício de água, por parte dos estudantes, mas não é isso. Há muitas torneiras quebradas e que vazam água, mas é muito caro para arrumar e não temos condições. Então, a água fica vazando e causando desperdício”.

Na Casa do Estudante de Palmas vivem cerca de 80 universitários carentes. “Este local já foi abandonado pelo Estado há muito tempo. A única coisa que fazem é pagar a conta de energia e de água, isso depois de deixarem acumular várias contas e cortar por falta de pagamento”, declarou um dos estudantes. Segundo ele, a manutenção do local é feita pelos próprios estudantes. “Se a gente mora aqui é porque somos de baixa renda, mas temos que tirar das nossas despesas diárias para arcar vaquinhas para arrumar as coisas mais urgentes.”

A falta de segurança é outro grave problema, com inúmeros casos de furtos e até tentativa de estupro.

Atuação da Defensoria

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Uma ação da DPE-TO, proposta em fevereiro do ano passado, foi deferida pela Justiça com o intuito de obrigar o Estado a reformar e manter a Casa do Estudante de Palmas, assim como as demais unidades em Araguaína, Porto Nacional e em Gurupi.

A decisão judicial, de maio de 2017, determina que o Estado realize obras e serviços de manutenção elétrica e hidráulica, conforme relatório e parecer do Corpo de Bombeiros Militar, da Secretaria da Educação do Estado do Tocantins e da Defesa Civil do Município de Palmas, bem como a limpeza do local e, ainda, efetuar o pagamento de faturas de água e energia, eventualmente atrasadas, a fim de evitar a suspensão do fornecimento. Porém, até o momento, as providências não foram tomadas.

Reunião

O defensor público realizou a vistoria com o intuito de colher informações para elaboração de um relatório, que será apresentado em reunião com a participação de representantes de moradores da Casas do Estudante em Palmas e do interior, técnicos e diretores da Secretaria Estadual da Educação, Juventude e Esportes (Seduc) e do defensor público Marlon Costa Luz Amorim.

A reunião está prevista para o próximo dia 14, na sede Seduc, em Palmas.

Casa

A Casa do Estudante Jornalista Jaime Câmara foi inaugurada no dia 11 de junho de 2008. Porém, nestes dez anos, nunca foi feita uma manutenção na estrutura do prédio. A planta do projeto apresenta um espaço amplo com diversas dependências, como piscina, quadra poliesportiva, biblioteca e área de lazer. Na época da inauguração, cada apartamento contava com mesas, cadeiras, beliches, colchões, ventiladores, armários, televisão e forno microondas. Existia, ainda, um telecentro com dez computadores e sala de estudos mobiliada. Porém, na atual estrutura, apenas as beliches e colchões são doados pelo Estado.

As demais unidades no Estado também passam por problemas semelhantes. A defensora pública Letícia Amorim realizou vistoria na Casa de Estudante de Porto Nacional, em setembro do ano passado, encontrando completa situação de abandono, insegurança e insalubridade. Da mesma forma, as Casas em Araguaína em Gurupi estão com problemas estruturais, bem como convivem com o corte do fornecimento de energia por falta de pagamento do governo do Estado.