Em evento na Unitins, Paulo Mourão defende preservação de aquíferos

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Com um discurso de preocupação com a preservação dos aquíferos dos rios
tocantinenses, aliado ao processo sustentável da produção, feito de
forma planejada, o deputado estadual Paulo Mourão (PT) chamou a atenção
para a falta de água que atinge o Estado do Tocantins nos últimos anos.
O parlamentar representou a Assembleia Legislativa, na consulta pública
para elaboração do Plano de Zoneamento Ecológico Econômico do Tocantins
(ZEE-TO), realizado pela Secretaria da Planejamento e Orçamento do
Tocantins, na tarde desta quinta-feira, dia 2, no auditório da Unitins
da 108 Sul, em Palmas. “Agora estamos discutindo as preocupações de 30
anos atrás que não se deram importância na gestão pública”, destacou o
parlamentar, lembrando que ao longo de quase 30 anos, o Tocantins teve
apenas um plano de zoneamento ecológico e econômico.

“A ocupação do solo precisa de um ordenamento, um planejamento
estratégico que mantenha sua sustentabilidade”, frisou. Paulo Mourão
esclareceu a falsa ideia que as pessoas têm de que falta água porque
falta de chuva. Segundo ele, o processo é muito mais complexo, a falta
de água está relacionada aos chamados aquíferos, que são reservatórios
de águas profundas, que abastecem as nascentes dos rios.

“O Brasil tem uma riqueza de aquíferos, mas toda essa riqueza é finita,
chegará o momento que vai faltar”, destacou ressaltando o caso dos rios
Javáe e Formoso que não têm nascentes, estando entre os principais rios
que abastecem o processo da produção agrícola irrigada no Tocantins.
“Esses rios passaram por problemas gravíssimos de seca ano passado”,
lembrou.

Paulo Mourão explicou que os rios estão secando por conta de um processo
de debilitação dos aquíferos. Segundo ele, temos no país dois
importantes aquíferos, o Guarani e o Urucuia, este último abastece Minas
Gerais, Bahia e o Tocantins. O parlamentar aproveitou para fazer um
alerta, uma das regiões mais importantes das águas de cerrado, o
Jalapão, composta no aquífero Urucuia, caso não seja feita uma política
pública de interação entre Bahia e Tocantins, em pouco tempo terá
problema de abastecimento de água. “Fico preocupado quando vejo setores
do governo dizer que vão liberar hidrelétricas no Rio Sono, no Rio
Balsas, não sabem a complexidade que é uma hidrelétrica ou fazem de
conta que não sabem”, ironizou.

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O parlamentar citou também o Rio Azuis, considerado o segundo menor do
mundo com 147 metros, localizado entre Taguatinga e Aurora, na região
sudeste, que “tenderá a sumir por falta de política pública”.

Paulo Mourão entende a importância de se discutir o zoneamento ecológico
e econômico com todos os setores da sociedade, envolvendo as
prefeituras, câmaras municipais, associações, federações, a indústria,
os povos indígenas, o setor produtivo rural afim de que se estabeleça as
orientações para ocupação das áreas, considerando a preservação dos
recursos naturais. “Se não nos conscientizarmos teremos um problema
muito sério que é a falta de água”, previu. “Água de chuva enche rio de
forma temporária, que cria o processo de perenização das águas são os
aquíferos”, lembrou. “Temos rio secando, nascente mudando de lugar, mas
não vimos a discussão prioritária que são as águas profundas, os
aquíferos que temos que manter abastecendo os rios”, sustentou.

Paulo Mourão encerrou sua fala anunciando que vai propor uma audiência
pública para debater o assunto na Assembleia Legislativa, pois entende
que algo que precisa mudar é o conceito de elaboração do orçamento
público, para que áreas de desenvolvimento econômico sustentável sejam
inseridas no orçamento.

Consultas Públicas

No mês de julho, oito municípios receberão as consultas públicas. Além
de Palmas, dia 2, Lagoa da Confusão no dia 5; Augustinópolis, dia 10;
Araguaína, 12; Colinas do Tocantins, dia 17; Pedro Afonso, 19; Gurupi,
24; Dianópolis, dia 26; e Novo Acordo no dia 31.