Ao criticar PT sistematicamente, Ciro Gomes escancara ainda mais racha na esquerda

A semana ficou marcada por um grande racha no PSL, partido do presidente Jair Bolsonaro, escancarando que o espectro da direita no país não anda em perfeita harmonia. Acontece que, do outro lado, a esquerda parece não conseguir se unir para formar uma oposição consistente. Ciro Gomes (PDT), candidato à presidência derrotado em 2018, tem sido o símbolo dessa desunião no campo progressista.

Nesta semana, Ciro voltou a atacar o PT, Lula e até o PSOL. “Com essa burocracia do PT, nem para ir para o céu. Pago meus pecados no purgatório mais um pouquinho mas nem para ir para o céu. Porque é um bando de ladrão, de mentiroso. As linguagens corruptas e a traição ao país que fizeram na economia e no social é imperdoável”, disse em entrevista ao jornal Estado de Minas.

Ele ainda se reafirmou como nome no campo progressista e acusou o PT de práticas de direita. “[Petistas] Não vão me empurrar para a direita nunca, quem está na direita são eles. […] Ninguém é de esquerda porque se diz de esquerda, são as práticas que definem”, afirmou o ex-governador do Ceará.

Um mês antes, em entrevista ao jornal Estado de S.Paulo, Ciro disse que o PT e Bolsonaro são faces da mesma moeda e não poupou críticas ao modo com que a sigla tenta se posicionar como oposição. “Esta burocracia do PT e a estratégia que essa burocracia está fazendo em nome da direção imperial do Lula é certeza da derrota do campo progressista no Brasil agora e pelas próximas três ou quatro eleições. Por quê? Porque você explodiu sobre a cabeça do povo brasileiro, tal como nosso povo é, dois gravíssimos problemas. Um, a corrupção generalizada. Você pode relativizar, como petista fanático dessa burocracia faz. A segunda questão é econômica”. Na mesma entrevista, ele ainda afirmou que “unidade é o cacete” quando questionado sobre uma reaproximação com os petistas.

Ciro reitera seu desejo de ver Lula fora da posição central de prioridades no campo progressista. Em agosto, em entrevista ao jornal “O Tempo”, ele disse não querer ver o país ser refém do ex-presidente. “O país não pode ficar refém do Lula, por mais amada e odiada que seja essa figura. O PT está encalacrado. Isso é uma questão trágica. Quase toda a executiva do PT responde por corrupção. Não é trivial. Vamos obrigar o brasileiro a ficar refém disso?”, questionou.

Apesar de dizer que condena a atuação de Sérgio Moro no caso da prisão de Lula, Ciro mais uma vez se distanciou de uma possível chapa com o PT. “Não creio que seja provável. O PT tem a natureza do escorpião, como da fábula. A natureza do PT não é amar o brasil. É o poder pelo poder”, definiu o pedetista, provando que uma oposição forte da esquerda ainda está distante no horizonte.