Dar um passo na direção desejada já é chegar

Encontrar calma, autocontrole e vencer a ansiedade é mais um, dos grandes desafios desses estranhos tempos, com amor é possível

Queridos leitores, hoje escrevo um editorial pouco político e mais reflexivo, escrevo após um domingo de ramos ao lado da natureza, na paz da roça, isolado em Taquaruçu Grande, na zona rural de Palmas, confesso, impulsionado pelo momento existencial que atravessamos, a pandemia, as relações interpessoais que mudaram, a convivência com quem amamos que foi fortalecida ou fragilizada.

Estamos todos atravessando algum tipo de deserto, seja o causado pela Covid-19, seja o causado por nossos desafios pessoais, internos, profissionais.

– Eu já fui utópico. Quando eu era jovem, eu era utópico.

Quando a gente é jovem e tem muito tempo pela frente, imagina que terá condições de criar uma sociedade perfeita. Era um sonho.

Não que o horizonte tenha se encolhido, quando era mais jovem, a menor unidade de medida que enxergava era a eternidade: Coisas utópicas que são próprias da juventude.

Amadurecido pelo tempo, e, aos passos rápidos da escola da pandemia pude acordar do que parecia ser um sono profundo de acomodação, despertei da zona de conforto para perceber que minhas utopias agora são coisas simples, como acordar ao lado de quem se ama e ser grato por isso. Ser grato pelo dia belo e ensolarado que começa tomando um simples café da manhã, novamente ao lado de quem se ama.

Permita-me uma sugestão a você que está lendo este editorial;

Lembre agora de quem você ama e imagine como seria sua vida sem essa ou essas pessoas. Pare a leitura por um minuto, e reflita.

Feito isso, agora reflita sobre como tem sido seu comportamento, principalmente desde o início da pandemia, com essas pessoas.

A convivência diária, 24h por dia, 7 dias por semana pode nos colocar em um modo automático de sonambulismo sentimental, um impacto novo na vida que tem, geralmente, o poder de tornar negativo alguns de nossos comportamentos e ninguém merece ser tratado de qualquer forma, ninguém merece ser tratado de qualquer jeito. Lembra que eu disse que todos nós estamos atravessando algum tipo de deserto?

Eu mesmo tive que quebrar meu próprio tabu e procurar ajuda. Estou fazendo terapia e isso é bom e normal. Quando você quebra uma perna ou um braço, você não espera que se cure sozinho. Aceite e procure ajuda.

Eu ainda tenho um pouco de medo do futuro e de como ele será. Se a vida passa muito rápido, meus queridos, aproveitem, se cuidem e cuidem de quem vocês amam, por que, com a pandemia, a vida que já era rápida, foi encurtada ainda mais.

A vida é muito curta para ser pequena

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Há dores que não precisam ser experienciadas neste período que já é dolorido.

Outro dia ouvi um famoso professor de história citar em sua palestra que os fracassados sempre estão cheios de bons conselhos.

Mas peço novamente licença para um aprendizado pessoal válido: Não deixe a euforia do atrito e da cabeça quente acabar com a sua história. Neste início de semana Santa, recobre de si a prática dos ensinamentos de Cristo.

O filho de Deus que veio à terra é o mais puro exemplo de amor, sabe por que? Ele foi perdão!

Amor é perdão.

Uma última licença, agora poética; repito, estamos todos nós, atravessando algum tipo de deserto, em algum momento da vida, já nos sentimos assim, como órfãos que pela Graça foram encontrados pelo amor.

Almas órfãs quando se encontram, não devem mais se submeter aos malogros e sofrimentos das distâncias.

Nesta pandemia, cuide de quem você ama, antes que seja tarde demais.

Dar um passo na direção desejada já é chegar.

Gratidão, bondade, constância, propósito e comprometimento.

Escrever é uma forma de terapia.

Haja o que houver,

Kim Nunes – Editor