EDITORIAL: Entre incautos e incultos, duas pandemias

Chegamos à uma sexta-feira difícil após a primeira semana com restrições mais duras desde o início da pandemia em várias cidades do Tocantins e, principalmente em Palmas. Ações duras e amargas, comprovadamente necessárias, infelizmente.

Não há privilegiados.

Um microscópico organismo coloca a humanidade de joelhos há doze meses. E há quem ainda encontre sob o túmulo de 272.889 mortos (atualização desta manhã) a sustentação para ter palco derramando ego e impondo suas verdades. Criou-se através de mentes incautas, uma solução antes da vacina, o salvacionismo político. Daí surgiram todas as perversas variantes da mentira, são pessoas contra um mundo melhor, uma segunda pandemia.

Nenhuma perda é menor

Ontem precisei sair de casa, num gesto automático para comprar algo na papelaria que nem era urgente, lembrei apenas na porta do comércio fechado que não deveria ter saído.

Tenho colegas que tiveram suas empresas fechadas, que quebraram com a pandemia, restaurantes que existiam em Palmas desde quando eu era criança e fecharam para sempre suas portas.

É triste de ver, infelizmente e amargamente necessário cruzar esse deserto, no momento. Isto é uma guerra, infelizmente. Haveremos de nos recuperar.

CNPJ não tem coração.

Nós aqui do portal Tocantins Agora também pagamos esse preço, entre os próximos dias 22 e 29 poderemos fechar nossas portas. Estamos lutando contra todas as dificuldades, mas tudo indica que sairemos do ar até o final deste mês. Isso acontecendo, retornaremos, um dia, num amanhã onde nosso celeiro de palavras geradoras possa cumprir a normalidade de sua lida.

O que mais pesa: Uma declaração de falência ou uma declaração de óbito?

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Nenhuma perda é menor, mas valorização da vida sempre será mais importante, nossa constituição garante isso, inclusive. Não deixemo-nos esquecer daquela frase antiga que acertadamente afirma “tendo saúde, o resto a gente conquista”. Saúde, notem, é sempre a primeira palavra que usamos para felicitar as pessoas que amamos, é um desejo que transmitimos ao outro nas datas mais importantes de nossas vidas.

É importante a medida de desacelerar as cidades para preservar vidas. Outro dia, num grupo de Whatsapp vi a cena de um “youtuber religioso” da capital próximo a casa da prefeita Cinthia junto de outras pessoas que diziam querer apenas trabalhar, eram comerciantes, diziam. Incultos ou incautos, ou os dois. Pessoas em busca de likes, o interesse público foi diminuído em detrimento de suas vontades extremas e pessoais. Perverso tempo em que aparecer é mais importante que SER.

A palavra ‘idiotés’, quando surgiu no grego, não era tão pesadamente ofensiva – ou pesadamente precisa, a depender do cidadão a que se refere – quanto acabaria por se tornar depois que, por meio do latim, idiota se espalhou pelo mundo e gerou descendentes em diversas línguas. O sentido primitivo de ‘idiotés’ era o de “homem privado”, isto é, metido com seus próprios afazeres, afastado da gestão da coisa pública. Na sociedade grega da época, isso era o mesmo que dizer “pessoa sem instrução”, pois só tomava parte na vida pública quem tivesse capacidade do saber. No século 19, o vocabulário psiquiátrico se encarregaria de agravar o peso da palavra, transformando o termo idiotia em sinônimo de “retardo mental grave”.

Outra definição vinda da filosofia é que, o ‘idiotés’ é aquele que apenas consegue olhar para o próprio umbigo.

Entre incultos e incautos, precisamos, não ser o significado grego, psiquiátrico ou filosófico de ‘idiotés’.

Não sou muito dado a arroubos demasiados em otimismo. A realidade me convida. Contudo é momento de vencer. O trigo tem de vencer o joio para que o alimento chegue à mesa. E para que a mesa seja uma celebração que alimenta a vida, o corpo e os sentimentos!

Haveremos de vencer, com humanidade e empatia.

 

Haja o que houver,

Kim Nunes, editor.