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Estava vendo e revendo no youtube a entrevista do juiz Sérgio Moro no programa Roda Viva, da TV Cultura, tive a curiosidade de separar um trecho dito por ele:

“…mas havia todo um anseio da população para que houvessem reformas legislativas que incrementassem a eficiência do sistema em relação a esse tipo de criminalidade.”

Como se sabe, o “haver”, quando utilizado como impessoal, deve concordar na 3ª pessoa do singular. Isso ocorre porque o verbo não tem sujeito, ou seja, alguém que execute a ação. É “haver” no sentido de “existir”. Vejamos:

“Havia inúmeros protestos no Brasil.”
“Se houvesse reformas legislativas, o sistema seria eficiente.”
“…para que houvesse reformas legislativas no Brasil.”

Além disso, caso esteja em locução verbal (conjunto de dois ou mais verbos), também fica invariável o auxiliar do verbo haver impessoal:

“Deveria haver inúmeros protestos na Petrobras.”
“Há de haver novas leis contra a lavagem de dinheiro.”
“Pode haver, ali, desvio de verba.”

Ainda sobre um trecho da fala do eminente doutor Sérgio Moro, chama-me atenção o uso de “todo um”. Apesar de ser mais comum a combinação entre “todo” e o artigo definido (indicando a totalidade de algo), é possível encontrarmos sim o artigo indefinido.

“Desaparece, naturalmente, a vacilação quando, em vez do artigo definido, aparecer o indefinido um, pois aí todo um denota inteiro, total: todo um dia (a par de um dia todo), toda uma cidade, construção, aliás, sem razão, rejeitada por puristas intransigentes.”