REIS DO GADO: Preso, irmão de Marcelo Miranda consegue autorização para transportar mais de 2 mil cabeças de gado

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Decisão do juiz João Paulo Abe, da 4ª Vara da Justiça Federal em Palmas autoriza o agropecuarista José Edmar Brito Miranda Júnior, o Brito Júnior, a transportar um rebanho bovino estimado em 2.340 cabeças de gado guardados nas fazendas Santo Ofício e Santo Ofício III, situadas no município de Santa Maria das Barreiras, no Pará, para a fazenda São Paulo, em Tocantínia.

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O irmão do ex-governador Marcelo Miranda (MDB) segue preso na CPP de Palmas após a Operação 12º Trabalho, decorrente da investigação Reis do Gado, da Polícia Federal e Ministério Público Federal (MPF) e ele havia apresentado esse pedido no final do ano passado, e a decisão autorizativa está publicada nesta segunda-feira, 18.

Segundo Brito Júnior, houve excesso de prazo no oferecimento da denúncia contra ele e sua família e há risco de os animais acabarem mortos em virtude de dificuldades no manejo do gado em razão da ordem judicial de bloqueio.

Na decisão, o juiz nega o pedido de reconsideração do bloqueio e de autorização de venda de 2.340 cabeças de gado, registradas como de propriedade de Brito Júnior na Agência de Defesa Agropecuária do Estado do Pará (ADEPARÁ), mas autoriza o transporte dos animais, desde que o irmão de Miranda apresente e comprove “a quantidade exata de bovinos acautelados nas fazendas Santo Ofício e Santo Ofício III, cujo traslado se pretende realizar”.

Brito Júnior deve informar, de maneira pormenorizada, a localização exata dos animais, inventariando-os e justificando as razões de seu deslocamento. O prazo para apresentar essa documentação é de dez dias.

Operador

Ao negar o pedido de liberação do gado, o juiz ressaltou que as sucessivas operações policiais no âmbito da Reis do Gado apontam a participação de Brito Júnior numa organização criminosa na qual lhe cabia administrar o patrimônio da família Miranda, fazer a interlocução entre empresários e a administração do Governo do Tocantins na gestão de Marcelo Miranda e “ocultar o patrimônio auferido como produto de crime”.

R$ 5,7 milhões na cota

Segundo o juiz, os peritos da Polícia Federal constataram que a movimentação bancária de Brito Júnior movimentou R$ 5,7 milhões em 2009, ano da primeira cassação Marcelo e passou para R$ 547 mil no ano seguinte, menos de 10% do valor antes da cassação. Para o juiz, a constatação “consubstancia fortíssimo indício da existência de uma inegável correlação” entre o mandato do irmão e a movimentação financeira de Brito Júnior.

400% a mais no patrimônio

João Paulo Abe menciona ainda um Laudo (SETEC nº 323/2016) que registra um aumento patrimonial de Brito Júnior de mais de 400% entre os anos de 2005 a 2012, o que também comprovaria sua função de coordenador do grupo, aliada a outros documentos apreendidos na Reis do Gado.

Entre os documentos, consta anotação com indícios de referência à suposta distribuição mensal de recursos de uma das contas bancárias do grupo familiar, para custeio mensal de despesas dos membros, entre eles, do ex-governador de R$ 6 mensais, saídos dessa conta.

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*(Reprodução Jornal do Tocantins/Lailton Costa)

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