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O ex-ministro condenado na Lava Jato, José Dirceu, não usou meias-palavras para se referir ao novo presidente do Brasil, Jair Bolsonaro. Em entrevista concedida ao jornal Estado, ele questionou as possíveis futuras decisões do presidente e resumiu o que espera em uma frase: “Deixa o Bolsonaro sentar na cadeira; ela queima”.

Isso porque o ex-ministro quer ver como o presidente vai lidar com as inúmeras decisões que deverá tomar nos próximos 4 anos, mas, principalmente, no começo de seu mandato, entre janeiro e fevereiro de 2019.

SAO PAULO 12/12/2018 – POLITICA – EXCLUSIVA / EMBARGADO – O ex deputado José Dirceu, em entrevista para o jornal O Estado de S. Paulo, na casa de um amigo em Perdizes / Zona Oeste de Sao Paulo – FOTO: SERJAO CARVALHO / ESTADAO

Segundo Dirceu, muito se sabe sobre as intenções de Bolsonaro em relação à política externa, ao meio ambiente, à maioridade penal e à mistura do Estado com a religião, mas a questão que ainda fica aberta é justamente a que mais preocupa muitos brasileiros: a economia. “Vamos ver o que o (Paulo) Guedes vai fazer, o que o Congresso vai aprovar e como o Judiciário vai se comportar”, disse.

Sobre o plano de governo do futuro presidente, Dirceu sugere vários questionamentos, evidenciando que lê muitas atitudes de Bolsonaro como “contraditórias”. “Ele vai desvincular o salário mínimo da Previdência? Ele vai congelar os salários dos servidores públicos? Vai revogar a tabela do frete, subsidiar o diesel? A vida é dura. Que reforma da Previdência ele vai fazer? Ele vai realmente adotar sua política externa? Ele vai descontingenciar, executar todo o orçamento das Forças Armadas, da Segurança e da Justiça e vai contingenciar o orçamento da Saúde e Educação? Ele vai desconstituir a Loas (Lei Orgânica da Assistência Social)?”. Mas, para Dirceu, a única resposta é esperar na prática: “deixa ele assumir, não foi eleito?”.

Ele garante, ainda, que o PT não será oposição se as medidas do novo governo forem compatíveis com a ideologia do partido. “Vamos fazer oposição conforme as propostas que ele fizer, independentemente do fato de que somos oposição a ele já, pois temos concepções diferentes de País, de vida, de tudo”. Ele também afirma que não está torcendo para que o governo dê errado, apenas está “dizendo que não vai dar certo”, pois “não deu certo em outros países, não vai dar aqui”.

Dirceu também comentou a crise ética que ronda o PT desde a delação de Antonio Palocci. Segundo o ex-ministro, nenhum político ligado ao partido enriqueceu durante o mandato. “Você conhece os vereadores do PT? Os deputados, os prefeitos? Alguém enriqueceu na política? A Luiza Erundina enriqueceu? O (Fernando) Haddad? A Marta (Suplicy)? Não tem. Problema de caixa 2 de eleição é uma coisa, enriquecimento pessoal e corrupção é outra”, declarou.

José Dirceu também foi questionado sobre o destino de Lula e a postura do partido em relação ao ex-presidente. “O PT e o Lula se confundem. O Lula tem um legado e domina 40 milhões de votos. O PT não só tem de defender a liberdade do Lula e a inocência dele, como também o seu legado”. Sobre o futuro do ex-presidente, Dirceu limitou-se a dizer que somente a história poderá dizer.