Após julgamento no STF Lula admite que está fora das eleições

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Pouco depois do voto decisivo da ministra Rosa Weber, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva comentou, resignado, com um grupo restrito de pessoas que acompanhavam com ele o julgamento de seu pedido de habeas corpus no Supremo Tribunal Federal (STF): “não iam dar o golpe para me deixarem ser candidato”.

A frase foi interpretada por dirigentes e lideranças petistas como uma admissão de que está fora da disputa eleitoral, embora o PT publicamente insista em manter o discurso sobre a manutenção da candidatura à Presidência, mesmo que o ex-presidente vá para a cadeia. “Isso foi para tentar tirar o Lula da eleição, mas podemos registrar a candidatura dele, mesmo preso. Acredito que Lula vai ficar pouco tempo na prisão”, afirmou o deputado estadual José Américo Dias (PT).

Gilmar Mendes votou para que Lula possa aguardar pronunciamento do Supremo Tribunal de Justiça para cumprir pena. Foto: Beto Barata/AE

Enquanto isso, petistas começaram a postar nas redes sociais a hashtag #LulaValeALuta. O objetivo é evitar que o desânimo com a derrota no STF contamine a militância e o eleitorado do petista.

O abatimento tomou conta das cerca de 500 pessoas que lotavam o salão principal do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC logo depois do voto de Rosa. Antes, a cada intervalo, os apoiadores de Lula dançavam, faziam batucadas ou se manifestavam em defesa do petista. Depois, ficaram em silêncio durante vários minutos, até que a organização tocou nos alto-falantes a música tema das caravanas de Lula. Muitos foram embora.

Segundo relatos, o clima também ficou pesado no segundo andar do sindicato, onde o petista passou o dia ao lado de apoiadores. Entre eles, estavam a presidente cassada Dilma Rousseff, os governadores Wellington Dias (PI), Tião Viana (AC) e Fernando Pimentel (MG), além do ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad.

O ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF) rejeitou o pedido de habeas corpus preventivo impetrado pela defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva por não verificar “ilegalidade, abusividade ou teratologia no ato apontado”. Foto: Nelson Jr/SCO

Conforme pessoas que estavam no segundo andar, o clima descontraído estimulado pelo próprio Lula durante todo o dia foi substituído pela tensão à medida em que Rosa proferia seu intrincado voto.

Até então, Lula tentava demonstrar tranquilidade. Posou para fotos, recebeu ex-colegas da direção do sindicato na década de 1970, contou histórias sobre as greves de 1978, 1979 e 1980, elogiou o golaço de Cristiano Ronaldo, do Real Madrid, e demonstrou otimismo ao dizer que o Corinthians vai vencer o Palmeiras por 2 a 0 na final do Campeonato Paulista.

O petista passou a maior parte do tempo em uma sala reservada, sem TV, ao lado de Dilma e aliados mais próximos. Ele era informado sobre o andamento do julgamento por assessores. Nos poucos momentos em que esteve na frente do aparelho de TV, não prestou atenção. “Não vou acompanhar isso aí”, disse.

Nesta quinta-feira, 5, a direção nacional do PT se reúne, pela manhã, para traçar as estratégias daqui para a frente. À tarde, a cúpula do partido em São Paulo também deve se encontrar para definir uma manifestação na cidade. A ideia é denunciar supostas arbitrariedades no processo que condenou Lula e mostrar que o ex-presidente sofreu um julgamento político.

COMO VOTARAM OS DEMAIS MINISTROS;

Alexandre de Moraes seguiu o relator e negou o habeas corpus de Lula.

Foto: Carlos Moura/STF

O ministro Luís Roberto Barroso votou contra o habeas corpus do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Assim, o placar no Supremo Tribunal Federal (STF) ficou 3 a 1 contra o petista

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Foto: Dida Sampaio/Estadão

A ministra Rosa Weber sorri ao conversar com o ministro Dias Toffoli durante sessão no plenário do STF. Seu voto, contrário ao de Lula, foi decisivo, já que ela não havia dado indicações claras se seria contrária ou favorável ao ex-presidente.

FOTO: DIVULGAÇÃO STF

O ministro do STF Luiz Fux também votou contra Lula.

FOTO: Divulgação STF

Dias Toffoli votou a favor do habeas corpus de Lula, deixando o placar em 5 x 2

Foto: Beto Barata/Estadão

Decisão de colocar tema na pauta foi do ministro Lewandowski. Ele votou a favor da concessão do habeas corpus ao ex-presidente Lula. Com seu voto o placar ficou em 5 a 3

Foto: André Dusek

O ministro do Supremo Tribunal Federal Marco Aurélio Mello votou para a concessão do habeas corpus ao ex-presidente. Com isso, o placar ficou 5 a 4.

Foto: Carlos Moura/STF

O ministro Celso de Mello, durante a apresentação do seu voto. Ele votou pela concessão do habeas corpus a Lula. Empatando em 5 a 5.

Foto: Nelson Jr./SCO/STF

A ministra Cármen Lúcia, presidente do STF, negou habeas corpus para Lula. Com isso, o resultado ficou 6 a 5 contra o pedido da defesa do petista

FOTO: ANDRE DUSEK