“Odeio a expressão povos indígenas” diz Ministro da Educação em vídeo que governo não queria divulgar

Na reunião ministerial de 22 de abril — cuja filmagem foi recolhida pelo STF (Supremo Tribunal Federal) no inquérito que investiga as denúncias do ex-ministro Sergio Moro — , o ministro da Educação, Abraham Weintraub, disse que “odeia” a expressão “povos indígenas”. Weintraub disse ao presidente Jair Bolsonaro e seus colegas que repudia a expressão porque todos são “o povo brasileiro”.

A expressão “povos indígenas” é usada há anos por lideranças, organizações indígenas, como a APIB (Articulação dos Povos Indígenas do Brasil), uma das principais no país, e documentos internacionais, como a Declaração das Nações Unidas sobre os Direitos dos Povos Indígenas, da ONU (Organização das Nações Unidas).

A Constituição alterou o entendimento dado pela ditadura militar, por meio do Estatuto do Índio, de 1973, sobre um esperado processo de “integração” dos indígenas. “No Estatuto, a ideia toda, o que estava implícito, era um ideal de integração. Era como se os índios fossem temporariamente índios e logo depois fossem integrados.”

“Qualquer discurso hoje, em 2020, que remeta a uma ideia de que ‘povo indígena’ é uma noção ultrapassada é porque tem um desejo de ir contra os direitos indígenas, contra a diferença cultural, contra o acesso à terra. Como se pudesse apagar, com borracha, a história da colonização portuguesa e ficar com aquele trechinho do Estatuto de 1973 que fala em integração. É como se fosse uma versão caricata do Estatuto, que apaga todas as diferenças culturais. Acontece que a cidadania brasileira dos indígenas é particular.”