EDITORIAL: Liderança, poder, ética e reconhecimento

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Já a alguns dias tenho reservado meu tempo livre para reler algumas obras, tenho forte interesse em temas da Roma Antiga e que, ainda podem nos ensinar nos tempos atuais onde discutir ética, gestão e liderança parece ser uma perda de tempo. Isto porque estamos passando há muito tempo não só por uma crise moral, política e econômica, temos também um enorme vácuo de lideranças.

Durante os próximos dias aliás, discorrerei nos editoriais exatamente estes temas com foco à nossa regionalidade. Líderes são homens e mulheres que ajudam indivíduos e equipes a fazerem a travessia rumo ao futuro, não que exista a necessidade de partir, mas a necessidade de estar preparado para um mundo que se renova quase que instantaneamente todos os dias. Sim nós temos líderes em Dianópolis e no sudeste, com cargos ou não, eleitos ou não. Na câmara de vereadores de Dianópolis, por exemplo, é possível encontrar alguns, fora dela também, é claro, você tendo votado ou não nos vereadores que lá estão, de qualquer forma os ajudou a elegerem-se, digo isso pelo formato de coligação que nossa lei permite, se o seu candidato perdeu nas eleições de 2016, com toda certeza alguém de seu grupo ganhou, que o faz ser o seu representante no nível político, embora, todos os legisladores sejam por lei, o seu representante também. Mas, lhe pergunto; de todos os vereadores quais você imagina que sejam líderes?

Explico…

Tenho muito apreço no estudo da origem das palavras, que podem nos ajudar a refletir sobre o mesmo tema, veja que, o nome que se dava à tripulação de um barco na Antiguidade latina (há mais de 700 anos), no mundo do final da Idade Média era companhia. No cerne da palavra está o pão, isso mesmo, o pão, que era o único alimento que durava, que sobrava sem estragar. Por isso, companhia era a expressão originada do latim da junção cum, pan, ia, que significa “vão com o mesmo pão”. “Companhia”, portanto, assumiu o sentido de “aqueles que repartem o pão”. Daí vem “companhia marítima”, “companhia comercial”, “companhia militar”, assim como as expressões “companheiro” e “companheira” – aquele ou aquela que reparte o pão com você e caminha em direção ao futuro.

Alguns dizem que o poder transforma o homem. Particularmente, prefiro a definição de que “o poder não transforma o homem, apenas o revela”. Uma boa ilustração para essa reflexão é uma história contada no livro “Qual a tua obra” do grande professor Mario Sérgio Cortella.

Narra o filósofo em seu livro:

“Os romanos na Antiguidade tinham um hábito muito importante: todas as vezes que um general, um líder importante, voltava de uma dura batalha com uma retumbante vitória, ele entrava na cidade de Roma e tinha que deixar o exército do lado de fora, num grande campo aberto, que era chamado Campo de Marte – dedicado ao deus da guerra.

O general subia numa biga, aquele carro de combate com dois cavalos, conduzida por um escravo. O líder se apoiava na lateral da biga para ser aclamado pelo povo.

E atravessava toda a cidade de Roma até o senado, onde seria agraciado com a maior honraria que um general poderia receber naquela época: uma bandeja com folhas de palmeira em cima.

Era uma honraria inacreditável. Tanto que, contam os cristãos, no Domingo de Ramos se faz um tapete com folhas de palmeira para Jesus de Nazaré.

Qual é o outro nome que a gente dá em português para uma bandeja de prata? Salva. Portanto, o general ia receber no senado uma salva de palmas. Com o tempo, a salva de palmas foi substituída por aplausos, dado que as nossas mãos parecem mesmo com folhas de palmeiras.

O general ia em direção ao senado e, por lei, um segundo escravo acompanhava a biga a pé. Esse segundo escravo tinha uma obrigação legal: a cada quinhentas jardas, ele tinha que subir na biga e soprar no ouvido do general a seguinte frase:

‘Lembra-te que és mortal’.

A biga se deslocava mais quinhentas jardas, e ele sussurrava novamente o alerta”.

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Além de uma beleza ímpar em sua simplicidade, essa história é um bom alerta para algumas pessoas que acreditam que adquirir uma boa carreira ou uma posição social privilegiada as tornam mais importantes do que os demais seres humanos.

Hoje, o mundo mudou.

Não existem mais os generais que entram nas cidades e circulam triunfantes em suas bigas, recebendo os aplausos coletivos por suas conquistas.

Mas, talvez o mundo não tenha mudado tanto…

Afinal, em um outro ambiente de guerra, que pode ser os espaços conquistados numa câmara municipal, numa prefeitura ou numa secretaria, tem muitos generais, chamados chefes, que ainda precisam, e muito, de alguém para os lembrar de que são meros mortais.

 

Retorno aqui ao pensamento lá do início deste editorial, com quem você tem repartido o pão para caminhar rumo ao futuro? O líder precisa ser companheiro e também ter o outro como companheiro, ao mesmo tempo em que ajuda o projeto, seja ele político ou não, rumo ao futuro, cabe a ele cultivar competências essenciais nessa arte de interação com os seus, ou seja o líder deve sempre ficar atento àquilo que muda e estar sempre disposto a aprender, o ditado “a mente humana é como paraquedas, funciona melhor aberta” serve muito para estes casos. É importante ainda que o líder saiba elevar sua equipe, o liderado percebe claramente quando você é capaz de, ao crescer, levá-lo junto. Um líder que não eleva a própria equipe, que só pensa no próprio crescimento, não é um líder, é no máximo um chefe, inclusive no pior sentido hierárquico do termo. Um vereador ou um prefeito que ganhou uma eleição, e que seja um líder, eleva a sua equipe pois sabe que não chegou ali sozinho. Isto não significa necessariamente que o líder tenha criar cabides de emprego ou fazer acordos meramente de ordem financeira. Reconhecimento é mais que isso. Você será um líder inspirador quando, ao subir, levar junto o teu subordinado, o teu liderado, do contrário, não se engane, a queda lhe espera, pois, agora citando Sun Tzu em A arte da Guerra “quem semeia a discórdia nas próprias fileiras está fadado ao fracasso”.

Eis que pergunto a você, (e)leitor, mesmo que não tenha dado o seu voto, quem, na sua opinião é líder, seja na câmara municipal (pessoalmente, eu reconheço vários e valorosos que lá estão) seja na equipe que forma a atual gestão? Isto deixarei que vocês debatam nos comentários ou nos grupos das redes sociais.

Aqui já caminho para o fim do artigo…

Cuidado, porque muitos políticos quando chegam ao poder, se valem da chamada “filosofia do trapezista”. O trapezista vem para fazer o espetáculo, levanta a escada e alguém segura a escada pra ele subir e, quando ele chega lá em cima, empurra a escada e ninguém sobe mais. Faz parte da atividade dele, mas, no nosso caso, quem age assim nas estruturas políticas é meramente um oportunista mercenário que usa as outras pessoas para seus propósitos mesquinhos.

Por fim gostaria de aproveitar este ensejo para redarguir sobre as discussões geradas principalmente em grupos de whatsapp, e que provavelmente este editorial poderá gerar, o escritor Robert Greene, autor do livro As 48 Leis do Poder, diz em sua nona lei que qualquer triunfo momentâneo que você tenha alcançado discutindo é na verdade uma vitória de Pirro: o ressentimento e a má vontade que você desperta são mais fortes e permanentes de que qualquer mudança momentânea de opinião. É muito mais eficaz fazer os outros concordarem com você por suas atitudes, sem dizer uma palavra. Demonstre, não explique.

Não que eu siga exatamente as leis de Robert Greene, mas, neste contexto redefini alguns posicionamento e posturas em grupos de whatsapp.

Desejo que a reflexão deste editorial possa gerar debates produtivos.

Haja o que houver,

Stephson Kim